12.1.07

Coisas a meu respeito. Muitas coisas, nunca o tempo. Desde que abandonei o nascer de sol que acariciava a minha janela, o tempo se fez indecente. Teima em me espiar pelas frestas da mesma janela trancada, chega com as cartas por debaixo da porta, espalha o aroma de café anunciando a manhã que escolheu pra mim. Mas eu não quero o tempo no meu espaço. De dentro do meu quarto eu posso sair pelos campos cavalgando sonhos de garota marota, deixar o vento me despentear com as ilusões de ontem, as desilusões de amanhã, o vai-e-vem de acontecimentos desprendidos e abandonados no ar como bolhas que se não estouro, sopro. E meu ar é quente. Somente o ar me suspende dessa desordem macia e gorda que é a minha cama sem a angústia do tempo.

8 comentários:

Zé Maurício Rocha disse...

agradeço tua visita, por ora. voltarei a bocejar. inté!

Marcelo disse...

Devaneios delicados enquanto observa o sol aquecer o campo, da janela de seu quarto. E lembra-se que toda a beleza do mundo está nos seus oceanos mais profundos. E pode visitá-lo sempre que silencia a voz e ouve a música que toca em sua alma, que toca seu coração. Pra depois se decorar com as belezas que trouxe de seu mar abstrato. Como esse belo poema...Sou grato por sua generosidade em dividir com o mundo esse tesouro.

Su disse...

Tentarei permanecer mais tempo debaixo d'água, Marcelo. E grata estou eu por tanta gentileza. Beijo.

Tata disse...

O sol com certeza pode voltar a nascer pra você de diversas formas, basta querer.

o alquimista disse...

Passei por aquí e achei fascinante o teu espaço, voltarei...

Beijinho

zé (traveiz) disse...

esse texto é mesmo delicioso, gostei muito! inté!

Guto Melo disse...

Macia é a tua escrita. Gordo é o tempo.

L.S. Alves disse...

E tua cama é um lugar pra se perder. Sozinha em devaneios e sonhos jovens ou...
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Um abraço moça.